Tuesday, September 23, 2014

A Mentira como Atalho Educado


A Mentira como Atalho Educado

 

 

 

 

 

   Quando interjeitamos disjuntivamente um SEI ‘ou – como julgo saber’ ESTAMOS APENAS a ser simpáticos para o interlocutor. De facto nós sabemos mais do que um mero julgo saber. Na verdade, Nós, Humanos Racionais, não podemos julgar saber aquilo que já sabemos. Podemos, sim,  ser simpáticos ou praticar um dos módulos de educação convencional.

 

 Em ocasiões diversas, podemos MENTIR, UTILIZANDO a mesma tipologia disjuntiva como Atalho Educado. Qual é então a diferença entre um Saber/Como julgo saber e uma Mentira como Atalho Educado?

 

 Um mete auto-fruição o outro não. E naquele que mete auto-fruição não estamos, egoticamente, armados em demiurgos subliminares de verdade.

 

  Não se pretende esconder duas coisas neste insight:

 

1 – Um Mundo povoado por praticantes de ‘sei ou como julgo saber’ é um Mundo propenso à criação de aglomerados sociais de enpatias. Um Mundo, digamos, sectorialmente mais pequeno, mais discernível e, naturalmente, por estrita consequência, mais pacífico.

 

2 – Neste regime social a ‘transparência intencional’ deixa de ser uma quimérica efabulação. Num Mundo empáctico não serão à partida necessários cabos de inter-ligação mental. Naturalmente.

 

  A prática da Mentira, como Atalho Educado obdece a uma tekné particular e sobretudo exige do seu praticante um antecedente moral que o permita ginasticar esta modalidade de Mentira. Este texto NÃO é para ser lido, naturalmente, como uma receita apolegética da prática.

 

 

 É nesta altura que erradamente se pode pensar em Arte como o cenário por excelência da prática. Reitero a falsidade do trilho tomado se acaso o  leitor o tomou. Para alguns, é relativamente indiferente inquirir se a Coita Amorosa do Poeta é verdadeira, real ou ‘sincera’. Claro que me parece que é por demais evidente que o sector de Mentira como Atalho Educado que interessa aqui diz mais respeito a uma praxis linguística e a uma sociologia comportamental. Ou então, e talvez até mais adequado a este insight, a uma espécie de Paraíso de Comunidades de Leitura … e viveram felizes para sempre …

 

  Não pretendendo epilogar o argumento parecer-me-á mais adequado para já descrever neste insight o que são Comunidades, a que acepção de Leitura me estou a referir e o que é exactamente Paraíso em Comunidades de Leitura.

 

 Ponto por ponto comecemos pela primeira.

 

[1] O que são Comunidades?  Comunidades são blocos sociais que se unem sem avisos prévios e institucionais por uma adesão, chamemos-lhe espontânea, a uma série de ritos publico-privados de índoles diversas. Nascem assim e por contigências diversas fazem de propósitos e hábitos comuns uma União de ritos que forçosamente geram Comunidades.

 

[2] A que acepção de Leitura me estou a referir ? A Leitura aqui é uma actividade geral não de índole propedêutica, pedagógica ou curricular. Aqui podem ser lidos quadros, livros ou intenções sendo irrelevante o objecto da actividade.

 

 

[3] O que se entende por Paraíso em Comunidades de Leitura?  Aqui é Fundamental des-literaturalizar o Conceito de Felicidade. Por osmose decorrente, é também fundamental des-religiozar o Conceito. Feitos os referidos cortes, podemos deste modo ajustar o perfil do conceito ao leitor.

 

 Esclarecidas tais considerações, podemos então incorrer, sem qualquer espécie de risco, no ponto chave deste texto. A Mentira como Atalho Educado.

 

 Numa Republica de Mentirosos, seríamos felizes? Não. Numa República de praticantes da Mentira como Atalho  Educado se não fossemos felizes, seríamos, seguramente, co-agentes de uma Comunidade Forte em que fronteiras comunicativas não existiriam para gáudio dos seus praticantes. É NESTE SENTIDO que seria possível alicerçar, platonismos à parte, Uma República (quase) perfeita!

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